Um casamento quase feliz*

Por Maisa Antunes

 

Era início da tarde quando nos encontramos, fazia sol e eu estava linda. “Ficas tão linda no sol”, declarou.

Despejou toda a sua vida em meus olhos…

A força do seu amor quebrou-me em pedaços… Sustentei-me nos fragmentos de mim mesma, tateando-me e recompondo-me num andar ainda mais coxo.

Fui pertencida pelo seu amor e fez-me prometer que o protegeria de todo o mal.

Escreveu em meu caderno de anotações essas palavras: “Os abismos das coisas (quem os nega?) em nós abertas inda em nós persistem. Quantas vezes os beijos que te dou na água dos teus olhos é que existem”. Não sei se eram suas ou de outro poeta… a vida não deixou tempo para saber…

Casamo-nos e moramos juntos num endereço que me ditou ao telefone. Tivemos uma filha, pele negra e olhos azuis… uma beleza incomum.

Ele era feliz comigo… Pedia-me que confessasse as coisas só com os olhos… para mim era bom, pois sempre tinha dificuldade de falar… também pedia que fingisse um amor desesperado, falou-me que eu fingia bem… gostava de beijar meus olhos fechados e rindo dizia que eram como cabeça de passarinho…

Às vezes procurava a mulher e só encontrava a menina… quando isso acontecia ríamos juntos.

 

Foto de Maisa Antunes

Foto de Maisa Antunes

 

*Publicado no ano de 2012 no Blog: http://soboamor.blogspot.pt/p/blog-page_4081.html

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