As pombas do Papa Francisco, os corvos e as gaivotas: uma coincidência? Ou um Pombacidio

por Saide Jamal

As pombas soltas pelo Papa Francisco neste domingo 26 de Janeiro a partir da janela do Palácio Apostólico do Vaticano depois da oração de angelus como o corolário do apelo ao fim da violência e ao diálogo construtivo na Ucrânia e no Mundo, contra todas as expectativas e ante um olhar pávido dos presentes as referidas pombas que simbolizam  a “Paz” foram atacadas e feitas refém por gaivotas e corvos; será isto uma coincidência? Claro que não!, como se costuma dizer em linguagem popular ai “há gato” ou “não há fumo sem fogo” e vários outros ditos que podem se encaixar nesta questão. Claro que não pode ser concidência, pois isto demonstra como a Paz no mundo é sequestrada pelas gaivotas, corvos e abutres que pupulam um pouco por todos os céus, não só na Ucránia, Somália, Siria, Mocambique ou República Centro Africana, Iraque ou Afganistão, mas sim, “a pomba mundial” é constantemente atacada e sequestrada em nome de interesses que até “a própria razão desconhece”, será em nome da “democracia?”, dos“direitos humanos?”, do”desenvolvimento” ou algo a mais? Claro, estas linguagens tornaram-se numa nova crença na qual o mundo por unanimidade passou a professar sem se quer questionar (na maior parte das vezes) acerca das condições para o seu exercício.

Ah!…Pomba do Papa Francisco, a isto chamaria Pombacídio, extermínio total das pombas perpetrado pelas gaivotas, pelos corvos dos quatro cantos deste mundo. Hoje, as pombas não conseguem se quer bater as asas porque as gaivotas ofuscam e controlam todo o movimento das suas presas, controlam os sonhos das suas pombas e sonham em dizimar todas as possíveis pombas que ousarem sobrevoar os seus espaços. Ah!… é duro voejar assim, é duro voejar sem asas e remar contra a maré. Hoje, “a pomba é vitima do seu próprio nome, “em nome da pomba sequestram-se pombas” ela é mártir da sua própria história e no fim terá um funeral digno de honras conduzido pelas gaivotas que a martirizaram, ah… minha pomba, isto só pode ser um Pombacídio, uma tentativa de acabar com as pombas desta terra, terra em que o mal se tornou normal, se sobrepós ao bem, terra em que o pombacídio se tornou culto das gaivotas em nome dos valores nobres como a democracia, os direitos humanos e o desenvolvimento, terra onde atacar uma pomba se tornou culto nos discursos maquiavélicos e esquizofrénicos das gaivotas. Ah minha terra…como quero essa pomba que as gaivotas atacam, essa pomba que se tornou mártir da sua própria história e da guerra que ela desconhece.

Ah!…em minha vida sonho com um lugar chamado tempo onde mora uma pomba chamada PAZ, onde se deslumbram sonhos nos quais vejo nossas crias a viverem sem medo das gaivotas, sem medo do Pombacídio, onde o respeito pela vida passa da teoria à prática, onde todos, mas todos são iguais, pode parecer utópico mas, sonho com essa terra e esse tempo, sonho com uma terra de céu coberto de pombas que contrastam com o azul do infinito e o brilho dos raios de sol trazendo cada vez mais o amplo prazer de viver nesta terra, nesta terra na qual o som das cataratas não será substituido pelos motores das Barragens Hidroelectricas e nem pelo roncar dos tractores lavrando os campos de monoculturas, terra em que os pastos crescerão pela dádiva da “mãe terra” sem que sobre ela pese o veneno dos fertilizantes, terra na qual nem os pássaros trocam o sossego nos seus ramos para longas viajens a um destino desconhecido em busca de um paraíso seguro, uma terra onde o som do canhão dará lugar ao rugir dos tambores, da timbila, e alimentará sonhos de donzelas e jovens que anciam por um mundo cada vez melhor.

Mesmo assim, sei que é duro voejar assim, nesta terra cheia de corvos que esperam e criam oportunidades para Pombacídios.

Saide Jamal

Pombacídio – extermínio total de pombas, neste caso adaptado a todas as ações que ameaçam à Paz em vários Países. (termo adaptado)

Timbila ou mbila – instrumento musical de percussão do tipo xilofone, tradicional dos xopes de Mocambique, a qual foi considerada pela UNESCO em 2006 como Património Imaterial da Humanidade

Coimbra, 26 de Janiero de 2014

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s