Paisagem (águas de outubro) (à Ananda / a São Francisco de Assis) (03/04/13)

por Rodrigo Castro Francini

De sobre a ponte, sobre a ribeira

Vê-se a chuva passada, redentora

Fim de tarde no “São Miguel”

A estrada – corte feito na terra

O rio – veio exposto da Terra

Se cruzam sem se tocarem…

Qual o caminho para esta luz que mergulha na correnteza,

Para as vacas – de um lado – disputando e escorregando à barranceira

Para os cavalos – de outro – disputados pelos chupins e pardais,

Para a garça, se banhando no flanco feito cascata

Entre o banhado e o leito aprazível?

Vontades voam, se entrechocam…

Querer atravessar o rio – calças arregaçadas.

Querer estacionar na ponte – olhos nus, bicho transparente.

Alcançar as tosseiras dos bambus enviesados.

Os troncos e folhas guardam as nuvens de há pouco e de sempre.

Distrair-se e concentrar-se

Dança parada, alegre e nostálgica

Que busca seduzir a criança em nós.

Por perto, nem uma dúvida

Algumas chamas e ventos escondidos

Alguma esperança…

Ao longe, se abraçam os infinitos

Um lamento-acalanto se houve

Por perto, nenhuma criança!

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